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Piçarras
segunda-feira 6 de julho de 2026

Temporada de resgate

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 Com a queda nas temperaturas, o litoral catarinense começou a receber seus primeiros “perdidos visitantes”, os pinguins-de-magalhães. Balneário Piçarras, Barra Velha e Itajaí resgataram as jovens aves na última semana, e as encaminharam para o Centro de Reabilitação de Aves Marinhas do Centro de Ciência Tecnológica da Terra e do Mar (CTTMar), da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Penha. 

Segundo a médica veterinária que coordena o Centro de Reabilitação, Adriane Steuernagel, o aparecimento dessas aves é comum nesta época do ano – período que vai até o mês de outubro – por decorrência da aproximação de frias correntes marítimas. Os jovens pinguins acabam se afastando do grupo e perdendo a corrente. Além dos três pinguins encontrados nas cidades, um quarto sem procedência vinha sendo tratado. Dois morreram, restando as aves encontradas em Balneário Piçarras e Barra Velha.
“Eles nadam quilômetros perdidos e chegam a costa desnutridos e cansados”, definiu Adriane, salientando que os animais encontrados na costa não devem ser colocados em geladeira, água gelada ou caixa com gelo. Pelo contrário. “A temperatura corporal deles é de normalmente 41º graus. No estado que chegam, são encontrados com 34º”, acrescentou a médica veterinária. Caixas de papelão com jornal são locais perfeitos para as aves serem colocadas até que sejam levadas aos locais de tratamento específico.
Logo, Adriane faz um importante alerta. “É preciso ter muito cuidado com esses animais. Assim que forem recolhidos devem ser rapidamente levados a centros de tratamento. Eles transmitem doenças, por isso as pessoas não devem segurá-los sem proteção, tirar foto ou ficar fazendo carinho”, definiu a médica veterinária que coordena o Centro de Reabilitação. A recomendação é que os Bombeiros sejam acionados para o resgate, ou mesmo o próprio Centro da Univali (3345.5980).
No Centro de Reabilitação da Univali, por exemplo, assim que os pinguins são resgatados, Adriane verifica suas condições e inicia um demorado processo de recuperação evolutivo, que se inicia pelo soro. Os pinguins ficam em repouso e são avaliados constantemente. Nem sempre o tratamento surte efeito, mas segundo Adriane, o trabalho tem sido bastante eficaz. 
Stress, hipotermia, desidratação, problemas gastrointestinais pela intoxicação por meio da ingestão do óleo e outras substâncias prejudiciais e lesões causadas por capturas acidentais em redes de pesca também são diagnosticados nos animais que chegam ao Centro. Esses pinguins são do extremo sul da América do Sul, principalmente da Patagônia. 
 
SOLTURA
Os pinguins que respondem positivamente ao tratamento são devolvidos ao mar, em Florianópolis. “Esperamos formar um bom grupo, junto com Florianópolis, e os devolvemos ao mar. Eles são animais de bando e por isso devem ser soltos em grupo”, ressaltou Adriane. Esse trabalho é desenvolvido em parceria com o Centro de Triagem de Animais Silvestres de Santa Catarina (Cetas).
 

Foto por: Felipe Bieging

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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