O que antes era um episódio raro e até de sorte, tornou-se quase que corriqueiro agora: olhar para o horizonte do Atlântico e encontrar um gigante dos mares seguindo para migração. Neste inverno, quase que diariamente, há relatos de moradores e pescadores sobre baleias nadando na costa de Balneário Piçarras, Penha e Barra Velha, num misto de deleito visual e avisos por resgate.
“Sem dúvidas é o ano com o maior número de baleias na nossa costa. Não há um motivo oficial para isso”, citou o professor do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMAR) da Universidade do Vale do Itajaí, Gilberto Manzoni. Acredita-se que o deslocamento de uma massa de água mais gelada próximo à costa estaria favorecendo o aparecimento de baleias Jubarte e Franca.
Gilberto exemplifica a tese com o recente fenômeno da maré vermelha (que durou quase sete semanas e impediu a retirada de moluscos do mar) e também ao grande número de tainhas capturadas na região. “Essa massa de água gelada pode estar associada ao longo tempo da maré vermelha e também à pesca recorde de tainha na região”, acredita Gilberto.
“Só sabemos que elas estão seguindo o caminho de migração normal, até Abrolhos, na Bahia”, completou o oceanógrafo da Univali, Jeferson Dick, e que atua também no Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), entre Univali e Petrobras. Jeferson relata ainda que diariamente recebe uma série de alertas para auxiliar baleias presas a redes de pesca.
Sem uma equipe específica para o salvamento dessas baleias, geralmente os casos são resolvidos por pescadores, bombeiros ou pelos próprios pesquisadores da Univali. “As redes de pesca sempre existiram, mas com um número maior de baleias o encalhe também vem sendo maior. O importante seria que houvesse uma fiscalização mais ativa ou mesmo uma Fundação Municipal do Meio Ambiente para interceder nesses casos”, citou Gilberto.
A pesca com redes fixas é proibida em todo território catarinense, conforme portaria do Ibama de junho de 1999. O número de redes cresceu significantemente com a chegada da temporada da tainha e coloca em risco o ecossistema marinho local.
Baleia morta
A equipe do Centro de Estabilização de aves, quelônios e mamíferos marinhos de Penha foi acionada no último dia 18 para analisar uma baleia jubarte juvenil encontrada morta na praia do Tabuleiro, em Barra Velha. Pesando quatro toneladas, os especialistas acreditam que ela tenha morrido no alto mar e encalhado na praia. As causas da morte são indefinidas.
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Pólo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama e tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e mortos. Caso encontre algum animal marinho, vivo ou morto na orla das praias que vão de Ubatuba (SP) à Laguna (SC) ligue para o 0800-6423341.
Foto por: Felipe Bieging | JC 2006





