A 42ª Subseção da OAB/SC (Balneário Piçarras, Barra Velha, Penha e São João do Itaperiú) e sua Comissão da Mulher Advogada manifestaram “solidariedade e irrestrito apoio às mulheres candidatas ao próximo pleito municipal da cidade de Barra Velha”. O posicionamento ocorre após ataques misóginos feitos contra as integrantes do processo eletivo local por um cabo eleitoral.
A nota foi publicada no dia 26. “Independentemente de questões relativas à autenticidade e autoria do áudio que vem circulando e foi amplamente divulgado pela imprensa local, é evidente que a assertiva feita é intolerável tendo, nosso total repúdio. Afirmar que, naquele município, ‘mulher só se elege com a calcinha no joelho’ é, além de ofensivo, ultrajante a qualquer sociedade em que vigorem os princípios norteadores de um processo eleitoral democrático”, cita a nota, assinada pela presidente da 42ª Subseção, Emmanuelle Teixeira, e pela presidente da Comissão da Mulher Advogada, Cíntia Wippel.
“A Comissão da Mulher Advogada consigna o irrestrito apoio a todas as mulheres de Barra Velha que tiveram a coragem e nobreza de disponibilizar seus nomes para concorrer no próximo pleito, na certeza de que têm plena capacidade e competência para figurar como representantes da comunidade em que estão inseridas”, reforça a nota.
A fala misógina foi atribuída ao cabo eleitoral Márcio Curinga. Ela começou a circular em grupos de WhatsApp na semana passada. Curinga, morador de Itajuba, afirmou que Barra Velha seria uma cidade que “não elege vereadora nem prefeita mulher”, e valeu-se da expressão chula “calcinha no joelho” para referir-se às atuais candidatas. Após a polêmica, afirmou que o áudio foi tirado do contexto e que não é machista.
O discurso atingiu em cheio todas as mulheres. Aa primeira candidata a prefeita da história de Barra Velha, Elizabete Tamanini, a Professora Betinha (PT, PV e PCdoB), considerou “repulsiva” a citação. “Diariamente as mulheres no Brasil são alvo de todo tipo de violência, seja física, seja psicológica. É chulo e repulsivo esse comentário desse senhor, que se mostra desclassificado”, acusou a candidata. Betinha disse que ficou ainda mais surpresa por saber a autoria do áudio, pois duas semanas atrás, na gravação de um podcast, conversou com ele sobre a importância da mulher na política e o direito que a mulher tem de estar na política, assegurado por lei.
Em áudio, Curinga diz que “há uma possibilidade bem remota, assim, a esquecer que vai entrar uma [mulher na vida pública]”, diz Curinga, no áudio. “Nada contra, é uma opinião minha, mas é assim muito difícil, assim, vai entrar lá com a calcinha no joelho, entendeu? Barra Velha não elege mulher, a nossa retrospectiva mostra isso”, segue ele. “Pode ser que eleja, bom, tomara que eleja, independente do partido, mas é muito difícil, muito. Como eu falei, com a calcinha no joelho talvez ponha uma”, completa ele.
Barra Velha já teve três vereadoras, duas suplentes que assumiram mandatos e três candidatas a vice-prefeitas em eleições anteriores.





