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domingo 5 de julho de 2026

Polícia Civil estima 40 vítimas e golpes imobiliários que podem chegar a R$ 4 milhões

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A Polícia Civil de Penha espera concluir nesta semana a oitiva de cerca de 40 vítimas do corretor de imóveis suspeito de aplicar golpes que podem chegar à cifra de R$ 4 milhões. Com base nos depoimentos, a denúncia será oficialmente apresentada à Justiça. O corretor suspeito teria deixado o país.

“Desde quando a gente tomou conhecimento, identificamos todas as vítimas, umas 40 pessoas, mais ou menos. A gente fez um mutirão, todo dia ouvindo umas 10 vítimas. Nossa expectativa é ouvir todas as vítimas até final da semana para entender certinho como foi cada caso” afirmou o delegado da Civil, Ângelo Fragelli.

A técnica de enfermagem, Micherlane Morais, é uma dessas vítimas. Em entrevista ao portal ND+, ela relatou ter pagado R$ 65 mil de entrada em um imóvel. “Eu e meu esposo lutamos muito por cada centavo para conquistar e para investir. A gente fez isso e estou me deparando com todo esse alvoroço, descobri que tem mais compradores no lote, na casa que comprei”, disse ela à reportagem do portal.

Segundo o delegado, “o suspeito se apresentava ora como corretor, ora como proprietário de terrenos – promovendo visualização dos terrenos como se representante fosse dos reais proprietários ou como real proprietário. Apurou-se ainda que o suspeito apresentava terreno do loteamento e por consequência os negociava de modo a garantir a entrega de uma casa já pronta, mediante o pagamento de uma entrada e o restante em forma de prestações mensais”.

Caso vivido por Bruna Pratis, que vendeu uma residência no Rio Grande do Sul para se mudar ao litoral catarinense. Ela deu R$ 70 mil ao suspeito. “Quando viemos para cá, ficamos encantados, as ruas eram sem saída, as árvores tinham tucanos, aqui era um ambiente gostoso. As crianças desciam de bicicleta, a gente já estava imaginando a vida aqui. O problema é o sonho da gente, o sonho de várias pessoas”, detalhou ela ao ND+.

O suspeito também permitia visitas aos lotes e residências, como forma de elevar a credibilidade da falsa negociação. Em algumas dessas residências, as vítimas escreveram mensagens nas paredes para alertar possíveis novos golpes. Isso porque, um mesmo imóvel era vendido falsamente para várias pessoas.

CRECI-SC pede que justiça autorize suspensão da inscrição de corretor de imóveis
O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (CRECI-SC) solicitou ao promotor da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Penha (SC), Rene José Anderle, a suspensão cautelar da inscrição do corretor de imóveis suspeito. O pedido tem por base os fortes indícios de que estaria utilizando suas atividades profissionais para aplicar golpes em dezenas de pessoas.

No documento entregue ao promotor de justiça, o CRECI-SC explica que, diante do conhecimento desses fatos, instaurou procedimento ético-disciplinar para apurar a conduta do corretor de imóveis. Entretanto, embora a legislação permita a aplicação de sanções como advertência verbal, censura, multa, suspensão da inscrição e, em última instância, o cancelamento da inscrição, não autoriza a suspensão liminar da inscrição antes do trânsito em julgado do processo administrativo.

“A medida solicitada pelo CRECI-SC tem amparo no art. 282 do Código de Processo Penal, que prevê a imposição de medidas cautelares diversas da prisão, adequadas e suficientes para assegurar a ordem pública e a aplicação da lei penal”, argumenta o presidente do Conselho, Fernando Willrich, no ofício ao promotor. Além disso, “o art. 319, VI, do CPP, autoriza expressamente a suspensão do exercício de função pública ou atividade econômica ou financeira, quando houver fundado receio de que essa atividade seja utilizada para a prática de infrações penais”.

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