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segunda-feira 15 de abril de 2024


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Cai o último bastião da hipocrisia política: Novo anuncia que vai usar o fundo eleitoral na eleição de 2024

Com 32 milhões de reais na conta você pode comprar em torno de 600 carros populares, fazer mais de 500 viagens de volta ao mundo, comprar 64 mil pares de sapatênis…e por aí vai. Esses R$ 32 milhões vão cair na conta, vejam só, do Partido Novo. Sim! Você não leu errado. Vou colocar um pouco de ênfase nesta afirmação:

O PARTIDO NOVO, QUE SEMPRE COMBATEU O USO DO FUNDO ELEITORAL COMO FORMA DE CRIMINALIZAR A POLÍTICA E OS POLÍTICOS, AGORA VAI RECEBER R$ 32 MILHÕES DO FUNDO ELEITORAL.

É ou não é uma manifestação cristalina da hipocrisia que permeia o cenário político brasileiro? Com um montante de R$ 32 milhões a seu dispor, oriundos justamente do fundão que tanto combateu, o Novo contradiz suas próprias bases ideológicas, evidenciando uma transformação que, como cantou Tetê Espíndola, “estava escrito nas estrelas”. O Novo agora é só mais um no campo da política tradicional.

Em 2022, quando foi aprovado o astronômico montante de R$ 5 bilhões para a eleição daquele ano, o Novo ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a indicação do fundo fosse retirada da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A turma de laranja foi pras ruas protestar contra os 5 bi e contra qualquer outro tipo de financiamento público eleitoral. Na cartilha daquele Novo, financiamento só com recursos privados.

“Ao se render às práticas que sempre combateu, o Novo(Velho) escancara que o idealismo pode ser facilmente sacrificado no altar das conveniências eleitorais

O partido se sustenta(VA) na crença do financiamento privado de campanhas como pilar para uma política mais íntegra e menos dependente do erário público. Ao se render às práticas que sempre combateu, o Novo(Velho) escancara que o idealismo pode ser facilmente sacrificado no altar das conveniências eleitorais. Assim, cai o último bastião da hipocrisia política. No caso do Novo, da hipocrisia que compartilhavam nas redes sociais para conquistar os corações dos incautos.

A incursão do Novo(Velho) para o lado da política tradicional, da política que usa recurso público para produzir santinhos, pagar jingles, bancar comícios e afins é um lembrete desolador de que, sob intensa pressão do sistema e a tentação do poder, até mesmo os mais críticos mudam de cor.

Esse ciclo de desilusões é nosso velho conhecido. Nós já nos decepcionamos muito com partidos e políticos ao longo da nossa história recente. Um pouco de conhecimento de mundo, muita leitura e avaliação racional de cenários, podem nos blindar do surgimento de outros “Novos”, embrulhados em uma embalagem bonita, chamativa e atraente. O que vale é o conteúdo. No caso do Novo, o conteúdo sempre foi frágil.

Fico imaginando a engenharia de argumentos que os simpatizantes e filiados do Novo(Velho) vão começar a usar nas redes sociais e nas entrevistas que seguirão nos próximos dias.

RAFFAEL DO PRADO
RAFFAEL DO PRADO
Formado em Jornalismo e pós-graduado em Produção Multimídia, especialista em Marketing Político e Digital. Foi assessor nas prefeituras de Penha e Balneário Piçarras, assessor na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), além de atuações como repórter e editor nos jornais Diarinho e Jornal de Santa Catarina, da antiga RBS, hoje NSC.

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