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Piçarras
quinta-feira 18 de julho de 2024


Empresários questionam falta de segurança

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Com a lembrança a voz oscila. Começa em tom de revolta e rapidamente ganha timbres de medo, como que se desconfiasse de algo ou alguém. Nas palavras pronunciadas pela mesma boca que clama por segurança, o relato de mais um assalto em Balneário Piçarras. A onda criminal vem causando sequelas nos empresários locais, que ouvidos pelo Jornal do Comércio, revelam o medo de abrir e fechar as portas diariamente.
Os exemplos e casos são inúmeros. Em todos os bairros da cidade com pouco mais de quinze mil moradores, a criminalidade tem sido destaque. Ouvidos pelo JC, os empresários lembraram-se das perdas materiais e dos efeitos psicológicos após cada novo assalto. “Não consigo mais dormir direito, tenho receio de sair de casa e vir para o trabalho. Não sei como vou encontrar meu empreendimento”, cita a empresária que apenas aceitou conversar com a garantia de que sua identidade fosse preservada. Ao menos a identidade.
No primeiro assalto, seu prejuízo foi de quase R$ 10 mil, com o furto de televisores, aparelho de som e a destruição causada pelos ladrões – que não foram presos. Na madrugada de segunda para terça-feira (dia 4 e 5), o segundo caso não passou de uma tentativa. Os bandidos cortaram a fiação do alarme e invadiram o local. “Mesmo assim, um outro alarme continuou ligado, soando baixinho, e acho que eles resolveram ir embora”, afirma. A Polícia Militar fez rondas no local após ter sido acionada.
A empresária Rosângela Dutra fala abertamente sobre a questão. Vítima de um assalto há três meses, ela relata um caso de roubo ocorrido três lojas após a sua. Em menos de uma semana, uma loja de perfumaria foi assaltada três vezes. A empresária não suportou e se rendeu: fechou as portas. “Em uma semana a ‘Linda’ foi assaltada três. Aquela loja era o sonho dela”, afirma Rosângela, que reforçou a segurança de sua loja. Grades foram instaladas e uma empresa de monitoramento foi contratada.
A reportagem tentou encontrar a empresária, mas não obteve sucesso. Na sala onde estavam os frascos perfumosos, restam apenas os sinais da tentativa frustrada, pela criminalidade, de oferecer mais uma opção comercial à população. “A Polícia mesmo diz que não tem o que fazer. Então estamos nas mãos dos bandidos”, diz revoltada, Rosângela.
R.V, dono de uma loja de roupas que também já foi invadida, repete o caso do furto à perfumaria. “A gente sente pelo vizinho. Não desejo para o outro aquilo que não quero para mim”, comenta o empresário, que já amargou um prejuízo de R$ 10 mil com um furto ocorrido há alguns meses. “Afeta tudo. O lado pessoal, o bolso… o sono já não é mais o mesmo”, completa. Os empresários devem se unir para uma manifestação pública e tornar ainda mais notória sua indignação.

Polícia Militar
promete mais rondas

O Sargento da Polícia Militar de Balneário Piçarras, Edson Luis Saraiva Corrêa, atendeu a reportagem em sua sala, no Pelotão da Polícia. Ele atribuiu os casos à bandidos que vem de outras cidades exclusivamente para praticar esses furtos e escaparem rapidamente. “Eles vem para cá fazer esses assaltos de moto. Até termos uma resposta da viatura eles já estão em outra cidade”, explica.
Saraiva, no entanto, afirma que a Polícia Militar está tomando algumas atitudes para frear os casos de assaltos. Melhora no patrulhamento noturno e futuras parcerias para implantação de um novo sistema de segurança são algumas das providências. “Peço que a comunidade tenha precaução na hora do fechamento do comércio e sempre denunciem casos suspeitos”, pede o sargento. O telefone do plantão da Polícia é 3345-0190.
 

Foto por: Felipe Bieging

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