Vida de Pescador – histórias de amor, coragem e resistência. O documentário de Luiz Garcia estreia nesta sexta-feira, dia 28, às 18h, no canal do produtor Oficina Box, na plataforma do Youtube. A obra, financiada com recursos do Edital Ivone Pires, da Fundação Cultural de Balneário Piçarras a realidade do pescador artesanal piçarrense.
“Para isso, eu tentei resgatar um pouco do passado, apresentar a situação presente e também apontar as expectativas dos profissionais da pesca em relação ao futuro. Eu fui apresentar desafios da profissão, as ameaças que a atividade sofre atualmente, desde as restrições de pesca por conta dos defesos, a chegada de profissionais da pesca de outros lugares, passando também por problemas que são comuns em outras áreas, mas até a questão das drogas acaba entrando nesta conta. Também o desinteresse, talvez seja uma das grandes ameaças, o desinteresse dos jovens em relação à profissão”, afirma Garcia.
Naturalmente, ao conhecer essa realidade, Garcia conta que percebe um certo desalento por parte dos pescadores artesanais: “Mas, também ao mesmo tempo, eu não quis deixar isso tão marcado no filme. Ou pelo menos eu quis sinalizar que, apesar de tudo, eles amam o que fazem, sentem prazer na atividade, mas naturalmente temem que essa atividade pouco a pouco vá desaparecer”.
O produtor acrescenta que “nós exploramos um evento bastante tradicional da vida do pescador, que é a Festa de São Pedro, no dia 29 de junho. Nós fizemos uma cobertura da procissão que ficou, particularmente, com uma parte bem sensível do documentário. E elas aconteceram ao longo do canal mesmo do Rio. Conversamos com profissionais, com pescadores já aposentados, inclusive, como o seu José das Neves, o seu Zeca, que é filho do seu Abrão das Neves, que inclusive também está no documentário – nós resgatamos um áudio dele, de 2010, que é um áudio do projeto Mestres dos Saberes. Achamos importante porque, de fato, ele é uma figura tradicionalíssima da pesca”.
O filme traz também a terceira geração, que é o Roberto, filho do seu José. Além de outros pescadores, há a participação de mulheres, entre elas uma descascadora de camarão, uma atividade que acabou perdendo força por conta das exigências legais para o manuseio e manipulação do camarão. Algumas cenas foram produzidas com drones para se ter uma visão do canal, do rio, da boca da barca, da saída de barcos, da entrada.
“Ou seja, a partir da experiência do meu avô como pescador, eu quis entender hoje melhor como é que é a vida do pescador, quais são as suas dores, as suas expectativas, os seus medos, os perigos da atividade. Foi, pessoalmente, emocionante”
“Eu tive um sentimento especial em roteirizar e dirigir esse documentário, porque o meu avô era pescador. Na verdade, eu até dei ao documentário uma abordagem muito pessoal, aproveitei a própria experiência pessoal como ponto de partida para contar essa história. Ou seja, a partir da experiência do meu avô como pescador, eu quis entender hoje melhor como é que é a vida do pescador, quais são as suas dores, as suas expectativas, os seus medos, os perigos da atividade. Foi pessoalmente, emocionante. Poder conhecer melhor essa realidade e conhecer esses pescadores que têm uma vida muito singular e cada vez mais singular nos tempos atuais, em que muitas pessoas resolvem ou que têm uma relação tão tecnológica com tudo, eles ainda abraçam uma vida tão natural, tão ligada às coisas mais ancestrais”, descreve Garcia.
No filme, recursos de Inteligência Artificial foram utilizados para dar movimento a imagens históricas, ligadas à atividade pesqueira, ao cenário de pesca e à praia. “Ficou algo bem interessante, porque conseguimos imaginar como é que seriam esses cenários com o movimento”, finaliza o autor.





