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sábado 4 de julho de 2026

IBGE lança, em São Paulo, o 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua

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O IBGE lançou, em São Paulo, o 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua, marcando o início de um levantamento inédito no país, voltado exclusivamente a compreender quem são, onde estão e como vivem as pessoas em situação de rua no Brasil.

A iniciativa, apresentada no Sesc Santo Amaro, representa um passo histórico na produção de dados oficiais, ao preencher uma lacuna antiga: a ausência de informações nacionais padronizadas sobre essa parcela da população. Desenvolvido em parceria com órgãos públicos, entidades sociais e movimentos ligados à causa, o Censo busca criar uma base sólida para orientar políticas públicas mais eficazes e direcionadas.

Como será feito o Censo

Diferente do Censo Demográfico tradicional, que utiliza domicílios como base, este levantamento terá como unidade de pesquisa o chamado “grupo familiar em situação de rua” — que, na maioria dos casos, corresponde a uma única pessoa. A coleta abrangerá indivíduos encontrados em vias públicas, ocupações não residenciais e instituições de acolhimento.

A metodologia foi adaptada para lidar com a alta mobilidade dessa população. Para isso, o IBGE estruturou um modelo territorial próprio, que inclui roteiros, microáreas e zonas específicas, mapeadas previamente com apoio de prefeituras e organizações locais. O objetivo é garantir que nenhuma pessoa fique fora da contagem, mesmo em áreas de difícil acesso ou com grande dispersão.

Abordagem humanizada

Um dos pilares do Censo será a forma de abordagem. Os recenseadores receberão treinamento específico para atuar com respeito, ética e sensibilidade, reconhecendo os direitos fundamentais das pessoas em situação de rua. A proposta é evitar qualquer tipo de constrangimento, discriminação ou tratamento coercitivo.

Cada equipe contará com o apoio de um “ponto focal”, geralmente ligado à assistência social ou à saúde, que auxiliará na mediação com os entrevistados e facilitará o acesso às áreas de maior concentração dessa população.

Estrutura e logística

A operação contará com postos de coleta descentralizados, instalados em unidades do IBGE ou espaços cedidos por órgãos públicos. Esses locais funcionarão como base para as equipes, reunindo estrutura de supervisão, equipamentos e suporte logístico.

As equipes atuarão com deslocamento organizado, inclusive com uso de veículos para alcançar diferentes regiões, garantindo agilidade e cobertura durante o curto período de coleta.

Quando a pesquisa será realizada

A coleta de dados está prevista para ocorrer entre os dias 3 e 7 de julho de 2028, de forma simultânea em todo o país. O trabalho será concentrado em apenas quatro dias, com equipes atuando em dois turnos — manhã e tarde/noite — estratégia pensada para reduzir duplicidade de contagem e acompanhar a dinâmica de deslocamento dessa população.

Mobilização nacional

Por se tratar da primeira edição do Censo, o IBGE também aposta em uma ampla mobilização social. Prefeituras terão papel fundamental no apoio logístico e técnico, enquanto organizações da sociedade civil ajudarão na sensibilização das pessoas em situação de rua para participação na pesquisa.

A população em geral também será incentivada a colaborar, principalmente no mapeamento prévio de locais onde há maior presença de pessoas vivendo nas ruas.

Com essa iniciativa, o IBGE dá início a um trabalho que pode transformar a forma como o Brasil enxerga e enfrenta a realidade da população em situação de rua, trazendo visibilidade, dados concretos e, sobretudo, subsídios para políticas públicas mais humanas e eficazes.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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