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sábado 4 de julho de 2026

Estudo catarinense aponta presença de substância estimulante em vapes

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Um estudo da Polícia Científica de Santa Catarina (PCISC), em colaboração com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), encontrou a presença de substância estimulante nos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) – também conhecidos como cigarros eletrônicos, vapes ou pods. O produto é proibido de ser produzido e comercializado no Brasil, mas tem ganhado popularidade especialmente entre o público mais jovem.

Os resultados mostraram a presença de octodrina, uma substância estimulante do sistema nervoso central não declarada nas embalagens dos produtos. Também conhecida como dimetilhexilamina (DMHA), a octodrina possui propriedades semelhantes às anfetaminas e apresenta riscos significativos à saúde, incluindo efeitos adversos cardiovasculares e potencial para dependência.

“a investigação detalhada desses produtos em Santa Catarina é essencial para entender melhor os riscos associados ao seu consumo e para embasar políticas públicas de saúde mais eficazes”.

GISELE PARABOCZ

Para a perita criminal bioquímica Gisele Parabocz, uma das responsáveis pela análise, “a investigação detalhada desses produtos em Santa Catarina é essencial para entender melhor os riscos associados ao seu consumo e para embasar políticas públicas de saúde mais eficazes”. Para realização do estudo, os técnicos da PCISC e UFSC utilizaram técnicas como Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massas (GC-MS),

Ela enfatiza a importância da fiscalização rigorosa desses produtos irregulares. “Este estudo colaborativo entre a PCISC e a UFSC destaca o papel da ciência forense na identificação e mitigação dos riscos à saúde pública. Projetos futuros estão planejados para expandir a pesquisa, incluindo uma maior diversidade de amostras, visando fornecer mais insights sobre a composição química dos DEFs e seus potenciais efeitos adversos”, reforça.

DEFs apreendidos em operações policiais foram usados para a análise química. “A detecção dessa substância em todas as amostras analisadas levanta preocupações quanto à falta de transparência na composição dos DEFs disponíveis no mercado clandestino. Os achados alertam para o risco ainda maior do consumo desse tipo de dispositivo”, citou o estudo apresentado no Congresso Brasileiro de Toxicologia.

O produto é facilmente achado para venda, apesar de Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibir sua fabricação e venda em território nacional. A perita-geral Andressa Boer Fronza destaca que “este tipo de estudo é muito importante e mostra o alto valor da colaboração entre a Polícia Científica e a comunidade científica”, enfatizando que essa é também uma das atribuições da PCISC.

Médico alerta para os riscos clínicos do uso dos cigarros eletrônicos

O médico da família, Virlei Primo Jr reforça que – além da substância encontrada pelo estudo da PCISC e UFSC – os dispositivos eletrônicos também possuem alto teor de nicótica. Ele afirma que o uso frequente tende a causar forte dependência e potencializar problemas cardiovasculares.

“A gente é tem uma preocupação muito grande no meio médico e que cada vez mais está causando o problema, impactando na saúde pública, é a nicotina. Então, para que vocês saibam, a nicotina ela é um psicoativo que, quando usado com muita frequência, como era o cigarro convencional, causam a dependência muito grande levando a um risco cardiovascular muito aumentado”, alerta o médico.

“Quando os riscos começam a aparecer, as vezes até detectar, fica tarde para poder ter alguma intervenção”

VIRLEI PRIMO JR.

Virlei analisa que, por conta consumo constante, o surgimento de enfermidades pode ser rápido e tardio para um tratamento. Ele recomenda com veemência o não uso dos cigarros eletrônicos. “Quando os riscos começam a aparecer, as vezes até detectar, fica tarde para poder ter alguma intervenção. Então, o nosso alerta que para a população, principalmente a população mais jovem, que deixe de usar esses dispositivos que não fazem nada bem à saúde.”, recomenda.

Pela crescente incontrolada no consumo do dispositivo, o médico projeto que “nós vamos ter em pouco tempo uma população com hipertensão, uma população com risco de câncer de pulmão, com problemas neurológicos de dificuldade de concentração dificuldade de estudar, dificuldade nos seus desempenhos diários em decorrência das substâncias que contêm dentro desses dispositivos, entre elas a nicotina. Mas, existem outras também inclusive aromatizantes que também precisam ser bem estudados e que com certeza também deve causar algum impacto na saúde desses pacientes”.

“Nós vamos ter em pouco tempo uma população com hipertensão, uma população com risco de câncer de pulmão, com problemas neurológicos de dificuldade de concentração”

VIRLEI PRIMO JR.

O formato e a variação de sabores são situações que atraem seu consumo, em especial entre o público mais jovem. “Fica aqui o nosso alerta aos pacientes. Cada vez mais jovens têm usado esse dispositivo a gente vê que a facilidade com que se encontra esses dispositivos. Eles começam como uma brincadeira que não vai fazer mal nenhum, é pequenininho, bonitinho, tem sabor de morango, tem sabor de chocolate, tem sabor de menta, tem uma infinidade aí, à revelia…. quando você vê, já está viciado”, alerta Virlei.

USO COMO FORMA DE LARGAR O CIGARRO
Criados inicialmente como forma de diminuir o tabagismo, os dispositivos eletrônicos ganharam viés oposto. Seu alto consumo. Virlei recomenda que “você que faz uso do cigarro convencional e usa esses dispositivos para tentar parar de fumar é uma grande ilusão, também.  preciso que você procure um médico para que esse médico te oriente, para que ele faça todo o acompanhamento do teu tratamento para parar de fumar existem. Hoje, dentro do sistema único de saúde, existem grupos para tratar o tabagismo”.

“Se os dispositivos eletrônicos fossem para essa finalidade, seriam prescritos por médicos e você não iria encontrar em qualquer canto por aí, sendo vendido de forma ilegal. Então, a gente já vê que não é algo bom para a saúde, se não está sendo é prescrito por médicos ou por profissionais que entendam do assunto. Então fica aqui o nosso alerta para você que faz uso desse tipo de dispositivo”, finaliza o médico.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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