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domingo 14 de julho de 2024


Liberação de recursos gera críticas em BV

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A participação do setor cultural de Barra Velha na 18ª Festa da Cultura Açoriana de Santa Catarina (AÇOR), na cidade de Sombrio, no período de 23 a 25 de setembro, levantou críticas em relação à distribuição dos recursos em dinheiro para as entidades participantes. O AÇOR é uma promoção itinerante do Núcleo de Estudos Açorianos (NEA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e para garantir a participação de Barra Velha, a Prefeitura local liberou R$ 6.000,00 para custear o deslocamento à cidade de Sombrio, anfitriã do evento.
Segundo as críticas relatadas ao jornal, o Grupo Municipal Alma Açoriana, de danças típicas, teria sido o principal beneficiado com maior volume de recursos em relação às demais, e que pelo terceiro ano consecutivo, os bonecos açorianos gigantes criados para simbolizar a Festa Nacional do Pirão não teriam sido encaminhados ao evento. O grupo Boi-de-Mamão Mestres João e Pedro Inácio, teria apenas recebido o custeio dos lanches e outras entidades, como a Irmandade do Divino Espírito Santo e o Terno de Reis Amigos Mensageiros sequer teriam sido contempladas. Nos bastidores, criticou-se o fato dos alunos do grupo terem sido beneficiados com diárias de hotel, quando poderiam, por exemplo, ficar em alojamentos de escolas.
O jornalista Juvan Neto, ex-assessor de imprensa da Prefeitura, lamentou que os recursos da cultura, que já são escassos, não sejam distribuídos de forma igualitária e novamente, as mascotes gigantes da Festa do Pirão tenham ficando guardadas. “É o quarto ano consecutivo que Barra Velha não leva absolutamente nada de novo para o AÇOR. A novidade seriam os bonecos, que nunca foram levados à tradição, embora expressem uma das nossas tradições mais fortes, a pesca artesanal e o pirão”. Foi Juvan quem, ao lado da então presidente da Fundação de Turismo de Barra Velha, Conceição Freitas, contatou artistas plásticos de São José dos Pinhais, no PR, para criar os bonecos em 2009.
Outro complicador, na opinião do jornalista, é que os bonecos sequer foram reformados para a Festa do Pirão desse ano, embora o custo disso seja irrisório – algo em torno de R$ 2 ou 3 mil. “Se já não levavam ao 18º Açor as cinco mascotes quando elas estavam bonitas e apresentáveis, agora que duas delas estão sem condições de manipulação, é que não vão ser usadas mesmo, e a tradição poderá acabar”.

Explicações
A Secretaria de Educação, em nota para a imprensa, avaliou a presença na festa itinerante como “um sucesso”. Na manhã do sábado, a comitiva barravelhense participou do tradicional desfile das delegações, tendo como destaque o grupo folclórico mirim, e por se tratar de crianças entre quatro a dez anos, foram muito aplaudidas e fotografadas. À tarde focou por conta das apresentações culturais do Grupo Alma Açoriana (adulto), elogiado pelos trajes típicos bem caracterizados. Já o boi-de-mamão mostrou bom resgate histórico, ganhando os parabéns da coordenação do NEA, pois foi o único que se apresentou sem “tocata”, simplesmente com a cantoria improvisada do mestre.
Consultada pelo Jornal do Comércio, a secretária municipal de Educação, Antonina Damásio Ramos, informou que o recurso foi pedido pela Secretaria de Educação e foi repassado para a Fundação Municipal de Cultura com o objetivo de que Barra Velha estivesse representada no maior evento sobre açorianidade do Estado. “Houve uma excelente participação dos grupos. Tanto a Irmandade do Divino Espírito Santo quanto o Terno de Reis Amigos Mensageiros e até os foliões foram convidados, porém não conseguiram vir por questão de datas e compromissos. Seu Agenor Duarteparticipou ano passado, mas esse ano teve um problema pessoal”, disse a secretária.
Já em relação aos bonecos utilizados na Festa do Divino, a secretária informou que o principal problema deles é o transporte já que é necessário um ônibus inteiro para poder carrega-los e a Prefeitura já tinha utilizado três para o transporte de Alma Açoriana adulto e mirim, além do Boi de Mamão. “Os bonecos pertencem à secretaria de Turismo, porém temos certeza que em caso de precisá-los não haverá problema”, comentou a Diretora de Cultura, Jacinda Padilha.
A representante do Boi-de-Mamão Mestres João e Pedro Inácio, Josiane Bernardes informou que todos os membros do grupo ficaram contentes com a participação na festa do açor e enfatizou a decisão de voltar no mesmo dia para Barra Velha partiu dos próprios integrantes do grupo. “Todos trabalhamos na sexta-feira e estivemos participando o sábado da apresentação. Decidimos que seria melhor voltar de ônibus à noite para poder descansar no domingo em casa e começar a semana descansados. Em momento nenhum a Prefeitura negou alimentação ou hospedagem. Embora não temos uma associação legalmente constituída sempre recebemos o apoio e incentivo da Prefeitura para dar continuidade nas apresentações”, comentou Josiane.
A secretária de Educação considerou que o município tem crescido em relação à valorização da cultura local. “Em dois anos temos aumentado o número de eventos sobre nossas raízes açorianas e incentivamos os grupos a se organizarem. Tanto foi assim que nesse ano ganhamos o Troféu à Açorianidade entregue pelo Núcleo de Estudos Açorianos (NEA) da UFSC. Ainda temos muito dever de casa a fazer, preparando a legislação para poder melhorar ainda mais”, afirmou.

 

 

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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